O mês de Agosto é celebrado com muita alegria, como o mês das vocações e é importante esclarecer que vocação, todos nós a temos.

Desde criança, sonhamos e fantasiamos com nossa aptidão vocacional. Uns desejam ser médicos, outros professores, estes policiais e aqueles grandes esportistas. Isso por que em todo ser humano há um chamado para ser algo importante, chamado a ser grande. No entanto, percebe-se atualmente, uma crise vocacional que ameaça o homem pós-moderno. Não somente uma dificuldade de discernir a vocação, mas também de permanecer nela. Um clima de insegurança e falta de realização, fruto do relativismo, que impede o indivíduo de tomar decisões duráveis.

Para sanar esse fenômeno, é necessário voltar ao princípio. Fazer como Jesus, que perguntado sobre algo polêmico, indicava, “mas no começo não foi assim” (Cf. Mt 19, 8). O termo vocação, vem do latim “vocare”, que significa “chamar”, “ligar”. Há, portanto, um chamado e ele serve de ligação. Mas de onde ele parte? E a que está ligado?

Até aqui o leitor já entendeu que aquele que chama é Deus, mas para que essa conclusão seja ainda mais clara, atente para o fato que o chamado deve sempre partir de outro e não de mim mesmo. Quantas vezes escolhemos unicamente baseados naquilo que nos agrada, deixando Deus de fora da nossa decisão? Todos têm uma vocação e só têm porque Deus chamou. Ele chama para sair e nesse movimento, gerar uma conversão.

Deus chamou Abraão e ele saiu de sua terra; chamou Moisés e ele saiu,  conduzindo Israel para fora do Egito; chamou Mateus e ele saiu, deixando a coletoria de impostos; chamou Pedro e ele saiu, abandonando sua barca e suas redes para tornar-se pescador de homens. Isso porque a resposta do chamado, deve ser um rompimento com o comodismo e a mesmice. Mesmo o Catecismo dizendo que somos capazes de Deus, muitas pessoas perdem tempo na vivência da vocação, seja por medo de perder, seja pela triste reação de pusilanimidade diante dos desafios.

Para viver a radicalidade da vocação é preciso alinhar a escuta e a obediência. O chamado existe, faz-se necessário ouvir com atenção. Trata-se também de um chamado de alguém que ama e que deseja permanentemente o nosso bem e a nossa felicidade. Por que temer?

A obediência caiu em desuso para defender uma liberdade sem compromisso e sem garantia. No entanto, somos escravos dos vícios, dos medos, das inseguranças, dos egoísmos, etc. Submeter-se a Deus, assemelha -se mais a liberdade que a escravidão e é a esta liberdade que Ele nos chama.

Vocação é um chamado de amor que deve ser respondido com fé e prontidão.

É preciso arriscar. Lançar-se no caminho que a doce voz nos conduz. A realização vocacional depende muito mais da escuta do que da visão.

 

Roberto Cavalcante 
Missionário Consagrado de Vida