Na vida comunitária cada vocação tem o seu lugar, tem a sua importância. Deus precisa que sejamos exatamente aquilo que somos, ou seja, o que Ele pensa de (e para) nós[1]. Quando ficamos a olhar apenas o que outros são ou fazem, corremos o risco de deixar de fazer a vontade de Deus naquilo para o qual fomos criados.

Por outro lado, nenhum de nós é completo na execução da missão, todos somos chamados a contribuir para o pleno exercício do carisma (apostolado) no qual caminhamos. Precisamos também garantir que cada um ocupe seu espaço e reconheça sua importância. À luz da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, no capitulo 12, que trata da manifestação do Espírito nos diversos membros do mesmo corpo, encontramos como pensamento central que a unidade na diversidade dos dons e carismas se dá quando aprendemos a reconhecer nossos talentos e os disponibilizamos para a construção do Reino de Deus, posto que segundo São Paulo, “Há diferentes atividades, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos” (cf.12,6), assim como “A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem de todos” (cf.12,7).

Dessa forma, podemos dizer que existe uma ação complementar na atuação de cada membro que ordena para a unidade, ou seja, os dons que faltam em mim estão presentes no outro (nos outros), e ao correspondermos ao nosso real chamado conseguimos desempenhar com propriedade a missão que nos foi confiada, sem, contudo, prescindir da ajuda do irmão para cumpri-la integralmente, e assim, sendo muitos membros, somos num só corpo conduzidos pelo mesmo Espírito, doador de todos os dons (cf. 12,12)

A consideração do valor da diversidade dentro da vida comunitária é capaz de reconhecer que ninguém pode ser feliz sozinho, e que, portanto, a realização de cada pessoa está em compartilhar com os outros a sua própria existência e todos os elementos que a constituem em prol do bem comum. O mesmo princípio pode ser ainda explicado sob a ótica da importância da inclusão de todos, pois mesmo os membros considerados mais fracos ou menos necessários são na verdade também indispensáveis na realização da obra de Deus (I Cor. 12,22).

Somos chamados assim a refletirmos acerca da grande graça da vida em comunidade, que se manifesta não somente na identificação do meu lugar, como também na necessidade de ajudar o outro a assumir o seu, e revelar para o mundo esse importante valor do Evangelho, ser Igreja, pois como disse Santa Teresa de Jesus, “Quem ama faz sempre comunidade, não fica nunca sozinho”. Ainda no final do capítulo 12 da Primeira Carta aos Coríntios, São Paulo adverte que após considerar a importância de todos os dons, segreda existir ainda um caminho incomparavelmente superior: o amor-caridade (cf. 13).

Dessa forma, percebemos que a nossa plena realização vocacional, cujo chamado primeiro é o de sermos filhos de Deus, e portanto santos como o Pai é Santo, somente encontrará sentido na unidade com os irmãos, na vivência da caridade fraterna em comunidade, que nasce do Lado Aberto de Jesus e continua sendo animada pelo seu Santo Espírito.

[1] Conforme a célebre frase de Santa Teresinha do Menino Jesus: “Eu sou aquilo que Deus pensa de mim”.

 

Luana Vidal 
Discípulo de Aliança