Deus é Pai. Nessas três palavras esta contida toda a grandeza da divina misericórdia. Deus não é apenas um pai, mas um pai e uma mãe ao mesmo tempo. A partir dessa ligação divina entre o Criador Deus Pai e sua criação humana os chamados a vida consagrada são atraídos à participação efetiva se inserindo profundamente a vivenciar a misericórdia com as mudanças interiores.

O amor de Deus é aquele que se aplica a todos, desejando ardentemente dar-lhe a vida. É amor que envolve o homem com sua força, que vela por todos os instantes, previne os perigos, acompanha todos os passos e decisões, dirige, consola, suporta, faz-se pequeno, espera, corrige e perdoa. O amor que ama até o fim e que acolhe, mesmo que seja insultado e ofendido. Enfim grande é a misericórdia, ela deixa aos homens o tempo de reconhecer, se converter e resgatar.

Como afirmou o papa Francisco em sua 1ª audiência geral (27/03/13): É necessário seguir o exemplo de Jesus Cristo, aprendendo a perdoar e a conviver com os pobres e humildes. Na missão terrena de Jesus, Ele falou a todos, sem distinção, aos grandes e aos humildes, trouxe o perdão de Deus e sua misericórdia, ofereceu esperança; consolou e curou. Foi presença de amor.

As obras de misericórdia citadas no Evangelho são 14 (sete corporais e sete espirituais). Elas são as ações caritativas pelas quais socorremos o próximo nas suas necessidades corporais e espirituais (CIC 2447).

 

As corporais: As espirituais:
1 – Dar de comer a quem tem fome 1 – Dar bons conselhos
2 – Dar de beber a quem tem sede 2 – Ensinar os ignorantes
3 – Vestir os nus 3 – Corrigir os que erram
4 – Dar pousada aos peregrinos 4 – Consolar os aflitos
5 – Visitar os enfermos e encarcerados 5 – Perdoar as injúrias
6 – Remir os cativos 6 – Sofrer com paciência as fraquezas do próximo
7 – Enterrar os mortos 7 – Rogar a Deus pelos vivos e defuntos

 

O amor da Igreja pelos pobres faz parte de sua tradição constante. Inspira-se no Evangelho das bem aventuranças, na pobreza de Jesus e em sua atenção aos pobres. O amor aos pobres é também um dos motivos do dever de trabalhar “para se ter o que partilhar com quem tiver necessidade” Não se estende apenas a pobreza material, mas também às numerosas formas de pobreza cultural e religiosa (CIC 2444).
As escrituras revelam:

            Bem aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia (Mt 5,7).  
             

         Tive fome, e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e me recebestes. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes ver-me (Mt 25, 35-36).  

           A religião pura e sem mácula diante de Deus, nosso Pai consiste nisso: visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações e guardar-se livre da corrupção do mundo (Tg 1, 27).

    Não escolheu Deus os pobres em bens deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam? (Tg 2, 5-6)

     Jesus deu a vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos.

Se alguém possui riquezas neste mundo e vê o seu irmão passar necessidade, mas diante dele fecha o seu coração, como pode o amor de Deus permanecer nele? (1 Jo 3, 16-17).

          Sê para os órfãos como um pai e como marido para suas mães. E serás como um filho do Altíssimo, ele, mais do que tua mãe, amar-te-á (Eclo 4, 10).
         Nunca afastes de algum pobre a tua face, e Deus não afastará de ti a tua face… (Tb 4, 7).

        O mundo nos oferece muitos desafios e desamores, e o Senhor espera ansiosamente pelo sim generoso daqueles que foram chamados desde toda a eternidade para viverem uma vida consagrada a Deus.
O Carisma da CFM surgiu para ser um diferencial nos tempos atuais. Todos os homens são chamados ao mesmo fim, o próprio Deus. Existe certa semelhança entre a unidade das pessoas divinas e a fraternidade que os homens devem estabelecer entre si, na verdade e no amor. O amor ao próximo é inseparável do amor a Deus (CIC. 1878).

 

Licania Correia Carneiro

Missionária Consagrada de Aliança