No dia 30 de setembro de 2010, dia de São Jerônimo, exegeta que traduziu a bíblia para o latim, o então Papa, Bento XVI, publicou a exortação pós-sinodal Verbum Domini, que trata sobre a importância da Palavra de Deus na vida do seu povo. Este documento riquíssimo é um presente para todos nós.

Dividido em três partes: Verbum Dei, Verbum Ecclesia e Verbum Mundo, o Papa Emérito nos conduz a um itinerário de redescoberta das Sagradas Escrituras e deseja levar cada batizado a um comprometimento de vivência e anúncio desta Palavra, o Verbo, “verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem”(Jo 1, 9).

É imprescindível ao cristão, a intimidade com a Bíblia e é duro perceber, que embora esta condição seja crucial, muitos católicos não possuem o costume salutar da leitura meditada e muitos, mesmo participando da missa, esquecem as leituras que acabaram de ouvir.
O título Verbum Domini, vem do latim que quer dizer Verbo (Palavra) do Senhor. Esta Palavra é a mesma que ordenou a criação e conduziu a história do homem, tendo na sua Encarnação, sua maior Revelação a cerca do amor de Deus uno e trino.

A Palavra de Deus não é apenas um livro, é uma Pessoa distinta e quando nos relacionamos com ela, entramos em comunhão. Por isso podemos dizer que na missa, nos alimentamos do pão da Palavra e do pão da Eucaristia. Podemos até concluir que comunga com mais adoração a Eucaristia, aquele que tiver comungado com dignidade a Palavra anunciada, pois dizia São Jerônimo: “Quem não conhece as Escrituras, não conhece a Cristo” e corrobora o Papa ao tratar sobre o Deus que fala, “A novidade da revelação bíblica consiste no fato de Deus Se dar a conhecer no diálogo, que deseja ter conosco”(n.6).Grande é o desejo da divindade em nos falar, comunicar a nós seu projeto para cada um, constituindo assim a vocação pessoal e individual, que por sua vez aponta para as necessidades da Igreja e do povo de Deus.

A Palavra é viva, Verbo que indica a ação de quem ama e cuida, uma ação de quem está perto. O movimento da Palavra é fundamental para refazer aquilo que por meio do pecado, foi-se perdendo no caminho. Por isso não é possível empobrecer a leitura bíblica como registro de acontecimentos passados. É antes a constatação da promessa de Cristo que nos haveria de instruir e permanecer conosco nas vicissitudes boas ou más, até o fim dos séculos (Cf. Mt10, 19 e Mt 28, 20). Essa é a contemporaneidade de Cristo na vida da Igreja. A Esposa do Cordeiro não vive de si mesma, mas do Evangelho e para anunciá-lo.

Acolhamos tão grandioso convite, de sermos tocados pela Palavra e na fértil relação garantida pelo Espírito, tocarmos um mundo faminto e sedento impregnados da vida que ela possui.

 

Roberto Cavalcante 

Missionário Consagrado de Vida